Simpósio em Porto Alegre debate futuro das ferrovias do Sul e secretária Vânia Franco defende diálogo
A secretária de Articulação Nacional (SAN) e do CODESUL/SC, Vânia Franco, participou nesta quinta-feira (11/06), na sede da Procuradoria Regional da República na 4ª Região (PRR4), em Porto Alegre, do simpósio “Malha Sul: passado e futuro da ferrovia no Sul do Brasil”, promovido pelo Ministério Público Federal (MPF), e manifestou sua preocupação com a falta de diálogo com os estados impactados e em relação ao futuro do projeto.
“Os Estados têm procurado manter uma postura de diálogo e cooperação com o Governo Federal. No entanto, preocupa-nos o fato de que decisões fundamentais sobre a futura concessão vêm sendo tomadas sem a participação efetiva dos entes federativos diretamente impactados por seus resultados”, afirmou Vânia Franco.
A Malha Sul, rede ferroviária de cerca de 7,2 mil quilômetros que conecta Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, é administrado hoje pela Rumo Logística. O atual contrato de concessão tem duração de 30 anos e termina em fevereiro de 2027. O Governo Federal e representantes da Rumo acreditam que a prorrogação do contrato por dois anos, hipótese prevista na atual concessão, permitiria manter os serviços até que uma nova licitação seja feita.
“Nossa posição não é contrária à modernização da ferrovia. Ao contrário, defendemos uma concessão capaz de ampliar investimentos, recuperar trechos estratégicos e fortalecer a integração regional. Entretanto, entendemos que um projeto dessa magnitude exige ampla participação dos Estados, transparência, segurança jurídica e avaliação cuidadosa de suas premissas e impactos”, destacou a secretária do Codesul/SC.
Ela ainda lembra que merecem atenção as fragilidades apontadas pelos próprios estudos da ANTT, já que o modelo proposto depende de um complexo mecanismo de “subsídio cruzado”, sendo que apenas um dos corredores apresenta robustez econômica suficiente para sustentar os demais.
“Além disso, há preocupações relevantes quanto à fragmentação da malha ferroviária, que pode comprometer a integração logística construída ao longo de décadas e reduzir a eficiência do sistema”, concluiu.


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